Londres

Recentemente, eu e o pai fomos a Londres dois dias, a trabalho.

Foi a primeira vez que estivemos longe dos pequenos. Bem, do Dinis, pelo menos. Em 2015 também tivemos de viajar a trabalho para Londres e estivemos três dias sem o Martim. Esses três dias foram divididos entre a casa dos avós Irene e Joaquim e a casa da avó Mimi. E custaram-nos muito.

Lembro-me de dormir muito mal e acordar exatamente à mesma hora que habitualmente acordava para dar o biberão ao Martim. Perguntava-me constantemente se o Martim tinha adormecido bem, sem chorar e chamar pela mãe, que nessas noites não o iria adormecer. Ligavamos frequentemente para saber como ele estava.

Se por um lado queria ouvir que o Martim estava bem, que tinha dormido bem e estava a comer bem; por outro queria o oposto. Queria que me dissessem que o Martim chorava e chamava por mim, queria saber que ele sentia tantas saudades minhas, como eu sentia dele.

Que egoísta que eu era / sou!

Desta vez, as coisas não foram diferentes. Mas o estado de ansiedade de separação dos meus meninos começou logo que marcámos a viagem.

Estavamos preocupados com o Dinis, como ele iria reagir. Está naquela fase em que só quer a mãe e dorme agarrado ao meu pescoço, e quando tento tirar aqueles bracinhos tão quentinhos de volta do meu pescoço, ele chora a dormir, e então, lá vou eu de volta para junto dele, sentir aquele abraço tão bom que faz com que me esqueça de todo o cansaço e stress daquele dia.

Estavamos também preocupados com a separação deles. Sim, tivemos de os separar. O Martim foi para casa dos avós e o Dinis para casa da avó Mimi. Por mais que os nossos pais nos ajudem, a verdade é que não estão preparados para ficar com os dois. Umas horas, ok. Mas dois dias inteiros, não. Nós pais é que sabemos como ficamos cansados quando estamos com os dois, quando ambos nos pedem atenção, quando ambos nos pedem para brincar com eles, quando ambos nos pedem colo, quando ambos nos pedem água, e sempre tudo ao mesmo tempo.

E a verdade é que desde que o Dinis nasceu que notámos algum retrocesso no Martim. Está mais agarrado a mim. Pede mais colo, mais atenção, não larga a chupeta dentro de casa e dá a chupeta ao irmão se vê que ele não a tem, para andarem iguais. Sempre que faço algo ao Dinis, uma brincadeira qualquer, o Martim pede de imediato para lhe fazer também. “Agora sou eu”; “Faz a mim o que fizeste ao mano”. Por isso não sabia como seria a reação do Martim quando acordasse de manhã e não me visse em casa.

E para piorar toda a situação, ambos estavam doentes, constipados, um com ranhoca no nariz e o outro com uma tosse de cão.

Ansiedade de separação

Fala-se muito na ansiedade de separação nas crianças. Há uma fase em que os bebés choram muito quando não vêm a mãe na mesma sala que eles, ou quando a mãe os deixa na creche, ou até mesmo quando a mãe os passa para o colo de outra pessoa. Eu não sou especialista em ansiedade de separação, mas eu sei que a ansiedade de separação não se aplica apenas às crianças. Nós pais, principalmente as mães, sofremos de ansiedade de separação. Por mais que estejamos cansadas da vida que levamos desde o nascimento do nosso primeiro filho (noites mal dormidas, pilhas de roupa para lavar, casa por limpar, compras por fazer, etc, etc), a primeira vez que nos afastamos do nosso filho é sempre difícil.

Por norma, a primeira vez que deixamos o nosso filho é quando termina a licença de parentalidade e temos de regressar ao trabalho. Penso que ansiedade será melhor quando temos de deixar o nosso bebé numa creche. Não sei. Não passei por isso quando a licença do Martim terminou, pois ele foi para casa da avó Mimi. Mas por mais que eu confie na minha mãe, senti muitas saudades dele. Queria saber se estava a dormir bem, se estava a comer bem, se tinha ficado a chorar depois de o deixar…. Nos primeiros dias, ligava constantemente para a minha mãe para ter notícias dele.

Com o Dinis foi ligeiramente diferente, mas também foi para casa da avó Mimi. Como trabalho por conta própria, consigo gerir melhor o meu tempo e estar mais tempo com ele, e com o Martim também. Mas ainda hoje, ligo à minha mãe para saber como ele está. Às vezes falamos por video chamada também. Pois por mais que queiramos um tempo para nós, a saudade fala mais alto.

O regresso a casa

Aqueles dois dias em Londres custaram. Ligavamos a perguntar como os meninos estavam. Contavamos as horas até estarmos com eles. À noite dava voltas na cama, com saudades daquele abraço quentinho do Dinis, que tanta falta me fazia. Acordei por diversas vezes, pois sentia-me incompleta. Às 6h30 desisti de dormir.

Qualquer situação servia para falarmos dos pequenos. “Como estariam?”,  “Temos de cá vir com eles mas no Verão.”, “O Martim ia adorar o Natural History Museum.”, “Com o frio que está aqui, os nossos filhos mal pusessem  nariz na rua, ficavam logo doentes.”

E depois dizem-nos no aeroporto que o voo está atrasado uma hora e meia…. Queria matá-los! Já sabia que não ia estar com os meninos acordados, mas pelo menos estaria lá, em casa, junto deles, caso acordassem.

Quando chegámos a casa, estavam a dormir, obviamente. Tudo tinha corrido bem. Tanto  Martim como o Dinis portaram-se muito bem em cas dos avós. Perguntaram por nós, mas não perderam o son por nossa causa.

O Dinis e o Martim estavam na mesma cama.

Peguei no Dinis e trouxe-o para a minha cama. E ele abraçou-me como sempre fazia.

De madrugada, o Martim chama por mim. Levanto-me e encontro-o de pé à porta do quarto dele. Abraça-me e diz “Tinha saudades tuas”.

Oh aguenta coração!

São estes abraços e estas palavras que fazem com que tudo valha a pena. Todas as noites mal dormidas e todo o cansaço. Toda a desarrumação e roupa por lavar. É tão bom estar em casa!

Sejam Reais!

Lívia

 


 

Oh, não. Em abril teremos de viajar de novo. Como vamos aguentar?!

 

 

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