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Quando não há Pai no Dia do Pai é necessário gerir muito bem as emoções das crianças, principalmente no pré-escolar e primeiro ciclo, visto que este dia é celebrado junto dos mais pequenos, com trabalhos feitos por eles, para serem supostamente entregues aos pais.

O MEU PAI É A MINHA MÃE

Não é segredo para ninguém que o meu pai é a minha mãe.

O meu pai biológico deixou-nos quando eu tinha 7 anos. Na altura não me afetou muito, ou pelo menos acho que não (não sou psicóloga nem nunca fui a uma). Penso que terá sido porque na verdade pouco contacto eu tinha com ele. Os horários profissional e extraconjungal não eram compatíveis com a nossa família.

Por isso o Dia do Pai lá em casa era na verdade o Dia da Mãe. A Mãe que sempre esteve connosco. Que passou noites acordadas quando estávamos doentes. Que nos acompanhou em todos os momentos escolares. Que cozinhou para nós. Tratou da nossa roupa, dos nossos quartos. Que nos comprou presentes, mesmo quando o dinheiro era escasso.

QUANDO NÃO HÁ PAI NO DIA DO PAI

Preocupa-me a falta de sensibilidade de algumas educadoras e professoras em relação a este dia. Preocupa-me também a falta de sensibilidade de algumas catequistas. De uma forma geral, preocupa-me a falta de sensibilidade da sociedade para estas questões.

Quantas vezes ouvia falar sobre o Dia do Pai e da prenda para se oferecer ao Pai a crianças que não tinham pai. E depois rapidamente a prenda do Dia do Pai passava para a prenda para o avô, ou para o irmão mais velho, ou para a mãe.

A verdade é que para muitas crianças não existe um Dia do Pai, ora porque os pais estão divorciados e o pai simplesmente não quer saber, ora porque o pai faleceu, ou porque são filhos de pais “incógnitos”.

Todos os dias são registadas em Portugal quatro crianças sem o nome do pai. Até novembro deste ano (2019), contam-se 1431 filhos de pai incógnito. Desde 2013 que o número não pára de aumentar. Nesse ano houve 358 casos. O aumento poderá ser explicado por mais bebés nascidos de relações ocasionais. 

– JN

MÃE HÁ SÓ UMA

E Pai também.

Independentemente do motivo pelo qual o pai se ausentou, este tem um papel importante na criação de uma criança.

Growing up without a father could permanently alter the structure of the brain.

— Ben Spencer, The Daily Mail

O papel do pai tem sido secundário na criação de uma criança. Um pouco por nossa culpa, nós mulheres que assumimos como nossa a responsabilidade dessa tarefa. Tal facto deve-se possivelmente porque fomos nós que geramos o bebé no nosso ventre, porque somos nós as únicas a poder amamentá-lo com leite materno. Porque nos sentimos emocionalmente mais unidas ao bebé.

Mas a verdade é que o papel do pai é tão importante como o nosso.

QUANDO O PAI ESTÁ COMPROMETIDO NA EDUCAÇÃO DA CRIANÇA

  • Quando ambos os pais estão envolvidos na educação da criança, os bebés criam laços com ambos desde o início da vida.
  • O envolvimento do pai está relacionado a resultados positivos para a saúde infantil em bebés, como o aumento de peso em bebés prematuros e melhores taxas de amamentação.
  • O envolvimento do pai usando uma paternidade autoritária (amorosa e com limites e expectativas claros) leva a melhores resultados emocionais, académicos, sociais e comportamentais para os filhos.
  • Os filhos que sentem uma proximidade com o pai são duas vezes mais prováveis ​​de entrarem na faculdade ou encontrar um emprego estável.
  • Os pais desempenham um papel crítico no desenvolvimento infantil. A ausência do pai impede o desenvolvimento desde a primeira infância até a idade adulta.
  • A qualidade da relação pai-filho é mais importante do que a quantidade específica de horas passadas juntos.
  • Quando o pai está comprometido, isso cria na criança uma maior taxa de sociabilidade, confiança e autocontrole.
  • O envolvimento do pai reduz a frequência de problemas comportamentais em meninos.
  • O envolvimento do pai reduz os problemas psicológicos e as taxas de depressão em mulheres jovens.

Fonte: All 4 Kids

OS EFEITOS NEGATIVOS DE UM PAI AUSENTE

Eizirik e Bergmann (2004) afirmam que a ausência paterna tem potencial para gerar conflitos no desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança, bem como influenciar o estabelecimento de transtornos de comportamento. Os problemas comportamentais decorrentes da ausência paterna já se apresentam na pré-escola e podem se manter ao longo da vida escolar, revelando resultados negativos que incluem baixo desempenho escolar, aumento de ausência nas aulas, risco aumentado de envolvimento com drogas, relacionamento frágil com os pares, depressão, ansiedade, labilidade emocional e a externalização de comportamentos-problemas (Cia, Williams & Aiello, 2005).

–  Pepsic

O QUE FAZER NA AUSÊNCIA DE UM PAI

Quando o pai está ausente, o Dia do Pai pode ser muito difícil para as crianças.

Mas este dia não deve ser ignorado. O dia é vivido por toda a sociedade, nas escolas, nas redes sociais, na publicidade fora e dentro da tv. Por isso, ignorar o “elefante na sala” não resulta. Aliás pode criar mais tristeza e mágoa na criança.

Então o que fazer neste dia?

DICAS PARA A MÃE

  • Conversa com o teu filho. Tenta entender o que ele sente neste dia. Caso o pai esteja ausente por falta de interesse, não o ataques. Esta não é a altura de falar mal do pai. Se o pai está ausente porque faleceu, tenta recordar os bons momentos com ele.
  • Prepara um dia especial. Talvez jantar fora, ou até mesmo fazer um brunch em casa.
  • Relembrem histórias sobre o pai. O pai só está ausente se o nosso coração decidir se esquecer.
  • Explica ao teu filho que o Dia do Pai é um dia para se homenagear o nosso pai, mas também outros homens na nossa vida, pessoas a quem o teu filho pode se dirigir com dúvidas, problemas, ou mesmo para contar uma historia, quando não se sentir confortável em falar contigo (sim, porque isso eventualmente irá acontecer)

DICAS PARA O PAI

  • Conversa com o teu filho. Fala bem da mãe. O teu filho precisa de saber que respeitas a sua mãe.
  • Pergunta-te a ti próprio: como queres que o teu filho te veja no futuro? Quando perguntarem ao teu filho como o seu pai era, o que queres que ele diga? O que não queres que ele diga? Então age de acordo.
  • Estabelece um ritual pai e filho. Algo que só vocês façam a dois, como levares o teu filho à escola ou irem lanchar depois das aulas. Cinema todos os domingos. Jogar futebol no parque. Sê consistente.
  • Conversa com o teu filho para o conheceres e para ele te conhecer também.
  • Está presente, verdadeiramente presente. Não deixes passar estes momentos. Chegará um dia em que o teu filho estará ocupado de mais para passar tempo contigo.

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